A origem da palavra “pai” vem do latim: pater. Ela faz referência à figura paternal de uma família ou ao genitor de uma pessoa. Contudo, podemos expandir esse entendimento, pois sabemos que um pai, nem sempre, é aquele responsável por gerar biologicamente um(a) filho(a), mas sim aquele que educa, que ama, que participa do dia a dia de alguém sendo um exemplo de vida. Sendo uma inspiração.

Para Geovane Souza de Araújo (36), ser pai é, além de tudo isso, estar presente nos momentos difíceis. Seu filho Davi, de seis anos, possui o diagnóstico de microcefalia – o primeiro caso registrado em Tucano – e precisa de cuidados constantes.

“Descobrimos a malformação dele no oitavo mês da gestação. Foi um baque para mim, porque não estava preparado para a chegada de um bebê que precisaria de uma atenção especial. Me fez sentir inseguro, porque seria uma responsabilidade ainda maior, mas também me fortaleceu para que eu superasse todas as dificuldades por ele, e com ele”, conta.

Segundo Geovane, os primeiros anos de Davi exigiram grandes esforços. Ele e a esposa chegaram a fazer duas ou três viagens por mês a Salvador, para que Davi tivesse acesso ao tratamento. “Meu pai me ajudou a comprar um carro para que conseguíssemos fazer essas viagens com mais conforto. Ele me apoiou muito durante essa fase. Admiro muito o meu pai, assim como admirei meu avô. Quero poder passar ao meu filho tudo que aprendi com eles” diz.

Apesar de todos os momentos que exigiram de Geovane muita persistência e dedicação, hoje ele vê com alegria todo o caminho que trilhou junto ao filho. “Sei que ainda temos muito o que enfrentar pela frente, mas ver ele alegre e se desenvolvendo não tem preço. Saber que todo dia, depois do trabalho, serei recebido em casa com o sorriso dele, é o mais importante para mim”, enfatiza.

Quando pensa no futuro, Geovane tem um sonho. “Por causa da microcefalia, Davi tem algumas limitações físicas e cognitivas. Espero poder oferecer para ele todo o cuidado e assistência para que, lá na frente, ele consiga dizer a palavra “papai”, se emociona.

Ser pai na juventude

A pequena Sofia, de dois anos, também chegou ao mundo dando um susto em toda a família. Seu pai, o farmacêutico Arilson Santana de Oliveira Filho (27), conta que ela teve complicações no parto e precisou ficar internada na Unidade de Tratamento Intensiva (UTI) por alguns dias. “Foi um período de angústia. Fiquei preocupado e torcia para que ela ficasse bem. Foi um alívio qual ela teve alta e pôde vir para casa. Me senti realizado”, relembra.

Arilson recebeu a notícia de que seria pai aos 25 anos. Ainda que sempre tenha tido a vontade de ser pai, não esperava que esse sonho se tornasse realidade tão cedo. “Tomei um susto quando soube. Houve o medo, a preocupação de não dar conta da responsabilidade, mas tudo isso foi diminuindo durante a gravidez da minha esposa. Ver a Sofia crescendo dentro da barriga fez a minha ficha cair e me deu a certeza de que tudo daria certo”, afirma ele.

Para o farmacêutico – que tem muitos planos pela frente e ainda pensa em ter mais um filho daqui a alguns anos – a paternidade tem ensinado o verdadeiro valor da vida. “Digo que a Sofia virou uma chave na minha forma de pensar e de ver o mundo. Antes do nascimento dela eu não tinha muitas ambições e, hoje, o que eu mais quero é oferecer à Sofia tudo que ela precisar. Quero ajudá-la a se tornar uma pessoa íntegra e feliz”.

Arilson e Geovane são pais tucanenses dispostos a lutar contra o mundo pelo bem dos seus filhos. A paternidade, quando vivida e exercida em sua essência, tem o poder de transformar e amadurecer um homem – seja ele jovem ou com mais experiência. Ela revela forças antes desconhecidas e tem um papel de conectar, profundamente, um ser humano ao outro (ou vários outros).

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