Ser mãe. Há tantas formas e sentidos envolvidos nessa jornada única… A maternidade é onde se enfrentam medos e incertezas. Em que se encontram propósitos e forças. A maternidade não tem roteiro, não tem regra, mas tem um poder de tamanha imensidão: o de transformar a vida de uma mulher.

Em cada canto de Tucano, encontramos histórias de grandes mães que lutaram – e ainda lutam – para ter seus filhos e os criar com dignidade, cuidado e amor. Nessa terra, que também é mãe de tantas outras, habitam mulheres fortes, batalhadoras, que alimentaram (ou não) o sonho da maternidade, e que hoje a vivenciam em sua total dedicação.

“Eu sempre quis ser mãe, mas não tão cedo”, revela a tucanense Tainá Moura, 19 anos. A jovem conta que descobriu a gravidez com 17 anos, dias depois de uma festa. “Foi um susto, porque eu já estava no quinto mês de gestação e não tinha nenhum indício de que eu pudesse estar grávida”. Na época, recém-separada e passando por crises familiares, Tainá relembra que lidar com todas as novas emoções e dúvidas foi um período difícil.

“Eu me vi sozinha em muitos aspectos. Questionei o que a vida me reservava, o que seria de mim e da minha filha dali em diante. Mas meu pai, que me apoiou muito durante toda a gravidez, sempre disse: a sua filha vem para te dar asas para que vocês voem juntas. Não se prenda a nada que não te faz feliz. Me apeguei muito nisso”, diz Tainá.

Além das inseguranças pessoais, a jovem também enfrentou o medo de perder a filha quando a pequena Maria Liz veio ao mundo prematuramente. Tainá foi internada às pressas no Hospital Estadual da Criança (HEC), em Feira de Santana – e, além de lidar com o risco da sua bebê não resistir após o parto, a unidade de saúde também estava funcionando como um centro de cuidados a pacientes com Covid-19.

“Eu me preocupava com a contaminação, mas o cenário lá era doloroso por muitas outras razões. Eu via mães que, assim como eu, tiveram filhos prematuros, mas que não sobreviviam. Conheci mulheres que dividiram comigo suas dores e angústias. A Covid-19 era algo pequeno perto da luta pela sobrevivência que os recém-nascidos sofriam e que nós, mães, acompanhávamos. Tudo que eu desejava era sair dali com a minha filha nos braços, pois desde o momento em que ela nasceu, a minha vida se voltou completamente para ela”, conta Tainá.

Pandemia

É inegável que a disseminação do Coronavírus afetou as rotinas e relações entre mães e filhos em todo o mundo. Aqui em Tucano não foi diferente. Para a promotora de vendas Ana Édila Macedo, 36 anos, acompanhar a educação dos filhos de 13 e 6 anos, em moldes totalmente diferentes, foi um baque – ainda mais aguardando a chegada da terceira filha, Anny Luise.

“Precisei me adaptar a essa nova rotina imposta, sem deixar de trabalhar. Hoje, graças a Deus, nada falta para mim e meus filhos, mas continuo trabalhando por nós – tomando todos os cuidados necessários, é claro. Nenhuma das três gestações, e nem a pandemia, me impediu de continuar buscando o melhor para mim e meus filhos”, conta Ana Édila, que está ansiosa pela chegada na sua neném.

A instituição de uma maternidade municipal é um dos planos da atual gestão de Tucano. Hoje, as gestantes do município – incluindo Ana Édila – ainda precisam buscar algum suporte em cidades vizinhas. Para termos um futuro diferente, a instituição de uma maternidade é fundamental e representa toda a atenção com as mães e com as crianças que estão chegando para participar da história que, dia após dia, tem sido construída para os tucanenses.

Saudade

Outro contexto vivenciado por muitas mães em Tucano é a saudade dos filhos que moram longe. A aposentada Jovelina Carmo, 55 anos, dorme e acorda com saudades do filho Sued, de 33 anos, que atualmente mora em Salvador. “Ele saiu de casa com 17 anos para trabalhar em São Paulo. Foi como se um pedaço de mim estivesse indo junto com ele. Mesmo já tendo anos que ele foi morar fora eu não me acostumo com a distância”, relembra.

Ela conta que, após algum tempo em São Paulo, o filho retornou para a Bahia e se estabeleceu na capital. Por conta da pandemia, visitas que antes aconteciam mais frequentemente, diminuíram um pouco. “Houve um período em que ficamos sem nos ver por causa do Coronavírus. Eu cheguei a testar positivo, mas me isolei e fiz a quarentena. Depois disso, voltamos a nos encontrar, mas tomando todos os cuidados”, diz Jovelina, que também é mãe de Gisele, de 35 anos.

Ela pontua que, até mesmo em relação à filha mais velha que mora bem ao lado de sua casa, ela ainda sente saudade. “Filho é um pedaço da gente. Toda mãe enfrenta alguma dificuldade, passa por provações em nome dos filhos. Eles são tudo na minha vida”, salienta.

Jovelina, Ana Édila e Tainá, por mais diferentes que sejam suas idades e histórias, possuem algo em comum: o amor sem medida pelos filhos. Cada uma do seu jeito, cada uma com a sua bagagem, carrega em si a responsabilidade de ser luz e inspiração na vida de outro ser humano. Cada uma sendo mãe, na cidade mãe, deixa sua marca nas asas e nas raízes de Tucano.

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